Dia Mundial da Luta contra a Homofobia

Antes que o dia acabe, quero deixar minha contribuição na luta contra a Homofobia. Ser preconceituoso é ser BURRO. Qualquer pessoa que pare e pense mais do que dois segundos sobre suas atitudes e pensamentos relacionado à qualquer minoria, vai mudar de idéia rapidinho. Bem, isso se for inteligente e sensível. Quem não consegue mudar de opinião e continua insistindo em repetir frases feitas e pensamentos idiotas merece continuar a viver no mundo podre que vive.Em 2004 eu trabalhava na produção de um reality show. Vivia mais confinado que os participantes trancados na “Casa”. Cheguei a ficar mais de 18 horas trabalhando direto e convivendo com pessoas de todos os tipos. Todo mundo pensa que quem trabalha em tv é muito descolado e moderno só que vivendo ali, no dia a dia, comecei a presenciar coisas que não me faziam sentir nem um pouco orgulhoso da equipe com a qual convivia. É impressionante como qualquer ser humano que resolve participar de um reality show é rebaixado ao mais baixo nível de existência humana segundo a visão do pessoal que fica por trás das cameras. Um dia você é uma pessoa super interessante e que cabe exatamente dentro do perfil procurado e no momento que você entra “fechadura” a dentro vira um mala, um imbecil e todos os homens passam a ser viados. TODOS.

O que começou a me incomodar foi ouvir pessoas MUITO queridas a se referirem aos participantes com frases do tipo: “Ah, esse viado vai pedir de novo outra coisa” ou “UUUUUUI, a princesa quer entrar na piscina!”. Uma vez, tudo bem… outra eu já ficava de bico… na terceira eu não agüentei e puxei uma amiga de lado e disse que estava começando a ficar incomodado por ela se referir a uma pessoa que ela nem conhecia direito usando esse adjetivo, de forma pejorativa, na minha frente. Claro que a resposta que ouvi foi: “Ah, pare com isso… você me conhece e sabe que eu não tenho preconceito algum contra vocês…”

Por coincidência, na mesma época, o André Fischer escrevia uma coluna na Revista da Folha e, num belo domingo, encontrei esse texto que serviu como uma luva para esclarecer o que eu estava sentindo e que não conseguia explicar. Imprimi e distribui para quem realmente importava… Felizmente todas essas pessoas entenderam o que eu e o André queríamos dizer!

Simpatizantes assumidos
[por André Fischer]

Em uma conversa sobre aceitação de amigos gays, uma jornalista que muito admiro afirmou que nunca tocou no assunto com nenhum de seus conhecidos homossexuais. Quando lembrei a importância de receber apoio explícito de amigos heterossexuais, ela se mostrou surpresa e disse que nunca havia pensado nisso. A vida para os heterossexuais tem essa vantagem inegável. Eles não precisam nem pensar em uma série de questões com as quais gays e lésbicas lidam o tempo todo.

Será que os héteros, mesmo os mais simpatizantes, se dão conta dos detalhes do cotidiano que complicam a vida da maioria de gays e lésbicas? Ter que represar em público o afeto pelo ser amado. Ao terminar um romance, ser forçado a fingir que nada aconteceu. Ser obrigado a mentir o nome da pessoa por quem se está apaixonado. Habituar-se ao medo de ser flagrado em um bar que freqüenta. Não poder apresentar amigos à família. Viver eternamente com o estado civil inalterado. Ser vítima de uma das mais covardes manifestações de ódio, a violência homofóbica. Dissimular sua orientação sexual em entrevistas de emprego e, se for contratado, ter que criar toda uma vida fictícia para uso profissional. E por aí vai. Não se engane, fora do eixo Jardins-Centro existe pouco espaço para quem vive a vida completamente assumido.

Muitos que se consideram simpatizantes pelo simples fato de se divertirem na Parada Gay ou darem risadas com a “bi” cabeleireira deveriam entender que ser simpático à causa GLBT significa mais que isso. Ser desencanado com relação à sexualidade alheia e aceitar a máxima “cada um cada um” já é um avanço em uma sociedade pouco tolerante como a brasileira. Mas não é suficiente se você, hétero amigo, quer fazer a diferença.

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2 comentários

  1. fala Pablito!

    Deixe-me inaugurar sua caixa de comentários: tudo o que eu penso está lá na Denise! hehehehehhee

    já disse, adorei o texto de André.

    Beijo grande,

  2. Muito bem gostei do seu texto e concordo com vc qndo diz que:
    “Quem não consegue mudar de opinião e continua insistindo em repetir frases feitas e pensamentos idiotas merece continuar a viver no mundo podre que vive.”

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