Karina

Acabei de ler no Terra:

“O Estado de Nova York adotou uma das políticas mais liberais dos Estados Unidos ao reconhecer que os menores de idade homossexuais mantidos em centros de detenção têm direito a utilizarem a roupa íntima do sexo com o qual se identificam e a serem chamados pelo nome de sua escolha.” (a notícia completa esta aqui)

Mais uma vez fico impressionado com o abismo que existe entre a nossa realidade e a de outors países. Aqui é tudo muito moderno, muito liberal mas alí na realidade, no “vamos ver” só recebemos provas que vivemos numa sociedade caretíssima, conservadora e muito retrogada… quase medieval. O que adianta termos a maior passeata do mundo ou podermos andar de mãos dadas ou namorando no quadrilatero da consolação, na frente de qualquer um mas no num ambito maior não conseguimos nem obter o direito a sermos nós mesmos em outras situações.

Essa notícia me lembrou um menino que conheci cerca de dez anos atras numa cidade do interior onde meus pais tinham casa. Esse menino chamava-se Ze Vicente e com cerca de oito anos AVISOU a mãe que queria ser chamado de Karina. Obvio que nesse momento a mãe chorou, o pai brigou e a cidade ficou chocada, mas Zé Vicente Karina não deu o braço a torcer. Assumiu sua vontade e passou a sair de casa somente com roupas de menina, fivela no cabelo e toda feminina. A coisa podia tee fedido pro lado dela, mas o que eu sei é que no fundo todos acabaram aceitando e convivendo com Karina sem grandes problemas. Tenho certeza que não foi fácil pra ela… muito coió ela deve ter levado… mas sela não desistiu e insistiu no seu desejo. Quando se formou no ginásio, Karina foi pedir à diretora autorização para ir à colação usando um vestido que ela mesmo tinha feito. Corajosa, não?

Karina é um exemplo dessas crianças que poderiam ter uma infancia muito menos sofrida e dolorida e muitomais digna se tivesse naturalmente encontrado apoio e informação na sua casa, com seus pais, na escola e também na sua cidade. Sua grande sorte foi ter nascido com uma coragem e uma força de vontade enormes e que permitiram que ela lutasse pra ter seu desejo interno atendido e acalmado.

Não sei como ela está hoje…. não sei o que aconteceu com Karina. Espero que esteja bem e vivendo sua vida com dignidade. E quando falo dignidade, não falo em vida certinha ou dentro dos “parametros”… falo em viver da forma que ela quer, do jeito que ela quer e como ela quer. Sendo feliz do jeito que ela é!

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1 comentário

  1. sou obrigado a concordar… é duro viver em um mundo que não me permite viver livremente a minha verdade… xô depressão! acho que deve ser por isso que não levo as coisas tão a sério… enfim… isso aqui não é consultório de analista! parabéns pelo texto! 😉

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