Pais e Filhos

Ok… o assunto do momento, pra mim, é intolerancia. Por alguma razão tenho pensado muito nisso e é o assunto que mais me pega no momento. A razão disso acontecer eu até sei, mas não vem ao caso falar disso aqui. Eu resolvo comigo mesmo…

Tentei evitar falar no assunto Isabeli Homofobica porque acho, sinceramente, uma bobeira. Não vou dar trela pra uma pessoa cujo nome termina em “i”. Mas hoje encontrei esse texto do Sergio Ripardo para a coluna Destaques GLS da UOL que é um tapa na cara da fofa e de todo mundo que adora uma frase feita e não pensar antes de dizer uma asneira . Dêem uma olhada…

Faça as Pazes com seu Filho Gay

SÉRGIO RIPARDO – Editor de Ilustrada da Folha Online

“Em algum lugar, há um filho gay ou lésbica que chora a distância de seu pai e sua mãe. Às vezes, diante da rejeição familiar, um dos caminhos é o exílio. É preciso sobreviver emocionalmente e tentar viabilizar uma identidade sexual sem mentiras nem pressões e, em muitos casos, sem violência.

Gays e lésbicas fogem das cobranças de cumprir o script heterossexual, dos pitis dos pais, da lembrança constante de ser um fracasso em relação às expectativas do clã, das situações de vexame, escárnio e vergonha. Não é fácil ser a “ovelha negra” (ou pink) ou a “lepra” da família (termo banido, mas a sensação é essa).

Para os pais que se arrependem de ter repelido seus rebentos devido à orientação sexual, há sempre a chance de repensar suas posições e buscar a reconquista da confiança de seu filho.

É preciso tentar entendê-lo. Aproxime-se. Faça um mea-culpa na condução desse conflito. Prove que suas atitudes mudaram. Expresse sua aceitação tardia. Livre-se das idéias de um mundo atrasado, ultrapassado e autoritário. Ninguém tem culpa de sentir qualquer tipo de desejo. Reprimir só gera monstros.

Não seja durão. Desprezar um filho que tenta ser autêntico e verdadeiro não é a melhor dívida a se ter na vida. Primeiro, busque informação. Converse com outros pais. Seja humilde. reconheça suas limitações, mas deixe claro seu esforço em ser mais humanista. Drible a insistência no mundo das mensagens subliminares que perpetuam o ódio ao diferente.

Não precisa ser militante nem proclamar aos quatro ventos que seu filho é gay. Não precisa nem participar de uma Parada Gay, embora essa experiência seja importante para se convencer do conceito “diversidade”. Por mais óbvio que seja, não há um único modelo ou embalagem de “ser gay”. No cotidiano, enfrente as dificuldades com seu filho. Não implique com seus namorados nem com a troca de carinho entre eles (ou elas).O parceiro dele pode ser mais velho, pode ser mais efeminado ou masculinizado ou simplesmente um vigarista e aproveitador. Mas não julgue nem interfira explicitamente. Não invada a privacidade dele. Não mexa nas suas coisas procurando provas. Não espione. Não force uma barra. Não o encha de perguntas.

Ao ouvir pela primeira vez seu filho saindo do armário, não surte. Não torne as coisas mais dramáticas nem traumáticas. Não seja abusivo. Não reze. Não chore. Não marque uma consulta médica. Apenas abrace. Apenas beije. Não precisa de palavras. Apenas controle o seu pensamento e as suas ações na busca de respostas para estas questões: como posso manifestar meu apoio de pai ou mãe? Como posso deixar claro que estarei ao seu lado e sempre o defenderei? Como posso evitar magoá-lo emitindo algum sinal inconveniente ou ofensivo? Como posso me tornar superior ao senso comum dos preconceitos? Como posso explicitar o meu respeito a sua individualidade e ao seu direito de ser livre e feliz? “

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3 comentários

  1. Pablito realmente é um texto lindo.
    Quando meus pais ficaram sabendo que minha irmã é gay foi difícil para fazê-los compreender que nada adiantaria: pscicólogo ou curandeiro.
    Me lembro que minha mãe me perguntou que se de alguma maneira a educação que ela deu resultou nessa opção, imagine.
    Não é o que queriam para a filha até mesmo por conta do sofrimento que geralmente o gay sofre, mas hoje ela está casada e muito feliz com uma espanhola e esse mês iremos recebelas como um casal … estamos ansiosos e felizes e contando os dias no calendário.
    Forte abraço sempre.

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