Santa Gal Trasformadora de Belezas

Há algum tempo eu vinha sentido saudades da Gal Costa. Saudades da época que eu ouvia, me interessava e curtia essa grande cantora. Comecei a gostar dela por volta de 1978, na época do Gal Tropical e fui curtindo cada vez mais até meados dos anos 90 quando acabei assumindo que ela estava ficando chata. Parece que ela foi perdendo o brilho e a vonade de fazer um trabalho consistente… sentia ela preguiçosa e sem energia. Tudo parecia obvio e sem graça… por isso desisti dela.

Mas a saudade apareceu e resolvi baixar algumas músicas do período melhor dela… coisas dos anos 60 e 70 e um pouquinho dos 80. Musicas como “Tigresa”, “Não Identificado”, “Coração Vagabundo” e “Sua Estupidez”.

Que delícia! Foi a melhor coisa que podia ter feito. Tenho passado momentos deliciosos ouvindo essas músicas. Fico tentando imaginar onde foi parar essa Gal que gostava do que fazia e mostrava isso cantando com prazer e dedicação. A voz é linda, única e impressionante. Da afinação não preciso nem comentar nada, não é?

Mas nem tudo está perdido… entre os cds que baixei estava um que é bem recente: Gal Costa Live at The Blue Note, lançado em 2006. è o registro do show que Gal fez na casa jazzista lá de Nova York. Músicas óbvias (bossa) para uma platéia exigente. Mas o CD é lindo e provocou um efeito mágico enquanto eu ouvia… estava eu, ouvido pela primeira vez enquanto andava de ônibus pela cidade e de repente me dei conta que tudo parecia mais bonito e poético. Até a Praça da Bandeira (quem conhece sabe que não é exatamente o que se pode chamar de “ponto turístico orgulho de SP”) parecia mais colorida, as pessoas mais bonitas e a vida mais interessante. Esse é o efeito que a arte provoca na gente… esse é o efeito que uma linda voz, cantando lindas composiçoes pode fazer com nossas vidas. De agora em diante, quando tudo parecer cinza, feio e sem graça já sem a quem recorrer!

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3 comentários

  1. Pois é, quanto menos se tem cultura, mais a vida parece chata. Não é o seu caso, percebi. Mas a cantora referência de todas as outras (exceto Elis!) ficou, de fato, acomodada. Mas a voz a resgata a todo e qualquer momento. Não é isso que é importante, independentemente da época, dos modismos? Sempre teremos a presença onipresente do talento de Gal e tantos outros tão importantes para a nossa cultura. Um abraço!

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